O post mais pessoal de todos

3/28/2013 11:32:00 AM

Agora são exatamente 09:40 da manhã, em São Paulo, Brasil. Eu estou ouvindo uma música chamada Sing, do My Chemical Romance, e pensando se devo postar ou não o que está na minha mente. 
Parte de mim diz que sim, porque apesar de tudo, o blog é meu. E blog é de certa forma bem pessoal, e porque acho que as pessoas precisam ir além de "look do dia"; a outra parte diz que não, porque está claro, e o escuro é o que me dá inspiração. 

Enfim. Eu pego um copo de água, e coloco meus óculos, que aliás estão tortos porque deitei em cima deles ontem. Coloco um pedaço de chocolate na boca, e agora toca Maroon 5 na minha playlist aleatória. 
Playlist que eu escuto, pra me sentir bem, as com estrelinhas são minhas favoritas, clica na imagem pra ver melhor ;)



Eu estou escrevendo isso porque quantas vezes as pessoas se sentiram um lixo por serem apenas quem elas são? 
Recebo diariamente perguntas em anônimo no Ask fm, dizendo que sou feia, que meu inglês é ruim, que minhas roupas são normais, que existe gente melhor, que sou vagabunda, e coisas do gênero. O fato é que, nos dias de hoje, nada disso me abala. Se alguém me acha feia, com certeza alguém me acha bonita, meu inglês não é ruim, tenho certeza e nenhuma modéstia sobre isso, sim, minhas roupas são normais, e essa é a graça, e como você as usa, e vagabunda? Sério? Sou a pessoa mais relax em relação a isso. 

Tá, e se não me afeta, eu to falando disso por que... Porque algumas pessoas passam pela mesma coisa e se sentem afetadas. Porque algumas pessoas realmente levam isso tudo a sério, porque algumas pessoas sofrem diariamente com isso, são xingadas todos os dias, tem que suportar gente rindo delas, se sentem humilhadas, pra baixo, se sentem um lixo, sentem como se não tivesse valor nenhum, e quando chegam em casa, pra ter um momento pra se distrair, são xingadas também. 


"Reblogue se alguma vez um garoto te chamou de feia ou gorda" Quando vi essa foto no Tumblr tinha mais de 10 mil "reblog". Complicado. 


Sem querer fazer a coitadinha: quando eu tinha 12 anos, mudei de turno, de sala, na escola, e todas as pessoas eram novas pra mim, e ninguém falava comigo. Ninguém. Eu era como um bichinho na toca, não sabia como domar o volume do meu cabelo, vestia minhas roupas de criança, porque nem eu sabia do que eu gostava, não falava nada por medo de não gostarem de mim, eu era gordinha, e tinha muitas espinhas. Eu era complexada demais. Até que me reaproximei da minha amiga de infância, a Gabi, fiz amizade com o Lucas, que nunca julgou ninguém, e a Renata, que tinha tudo pra ser metida, mas tinha um coração enorme. Enquanto eu ficava sozinha, eu lia, lia muito. Até que um dia, briguei feio com a Gabi. E comecei a andar só com o Lucas e a Renata, e eles me levaram até um grupo de novos amigos. Os que eu julgava "populares". E então, com a convivência, começaram a falar da minha roupa, de como eu era gorda demais, ou magra demais, e futilidades assim. E porra, naquela época, isso importava pra mim! Eu queria ser aceita. 
Ai comecei a fazer chapinha, tals. Sabe o que é você morrer por 1 hora e uns minutos fazendo chapinha em si mesma, chegar na escola e alguém falar: "seu cabelo é feio, né?" ou "nossa, você tá com uma espinha nova!" Não me diga! Acha que eu não vi isso na minha cara? 
Isso na 6ª, 8ª série. Aí no 1º ano do colegial entrei no inglês e aquela pressão pra ser perfeita continuava, em todos os sentidos, especialmente na escola, com umas meninas sempre me lembrando de como eu não valia nada. E eu saia da escola, ia pro inglês, comprava um lanchinho e quando sentava na pracinha pra comer, eu chorava pra Renata. Por que exatamente eu era tratada assim? Eu nunca fiz nada pra ninguém. 




E a partir do ano passado, comecei a mandar todo mundo (todo mundo mesmo) ir se foder. Porque eu não fiz nada pra ninguém, porque tano ódio por mim? Porque se você me acha feia, foda-se, eu sei que tem coisas que valem a pena, porque se você me acha incapaz, o problema é seu, não vou desistir porque você quer. E fui percebendo que na verdade, aquelas pessoas que faziam eu me sentir mal é que são inseguras. Elas precisam magoar alguém pra se sentirem bem com elas mesmas. 




O problema é que não tem graça você fazer uma pessoa odiar o que vê no espelho, não tem graça você começar a chorar de tanto ódio que você tem de si mesmo. Não tem graça achar que nenhuma roupa fica bem em você, não tem graça ver uma mãe chorando porque o filho se acha um inútil, não tem graça você ser excluido pela cor da sua pele, ou por sentir atração por pessoas do mesmo sexo, não tem graça você ser maltratado por você ser simplesmente quem você é. Não tem graça você ter vontade de se matar. Muitas pessoas se suicidam por isso, sabia? Por um filha da puta (como você?) incapaz de vencer por si próprio e fazer uma pessoa perder a vontade de viver. 


O que esses nojentos desocupados fazem com as pessoas
socorro, meu Deus sdkasçjdjdksjdkçasjdkasjdksadjasdljsldjaldjakdsajdlsjsakjsadjsadk



Então, esse post vai pra essas pessoas, que fazem os outros se sentirem mal, que se acham melhores do que alguém: eu tenho nojo, mas acima de tudo, pena de vocês, e da solidão e inveja que carregam por dentro, espero sinceramente que a culpa te corroa algum dia. Mas vai principalmente pra você, que se acha pequeno e fraco, que não sabe que é forte pra caralho por ser julgado sempre mais e mais, por viver sob constante pressão, por ser acusado de fazer drama por se machucar com as coisas que dizem, por tentar não chorar. E se alguém vier tentar te colocar te colocar pra baixo de novo, lembre-se de que ninguém conseguiu agradar a todas, que não haveriam lovers se não houvessem haters, de que você vai ter uma história de superação para contar.  Esse post vai pra você que parou de se cortar, que parou de se odiar, que desistiu de apertar um gatilho, de tomar remédios e passou a investir na vida. Faça ela valer a pena agora. 

(11:34 da manhã, terminei)

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2 comentários

  1. incrivel. eh tudo o q sinto. parei de me cortar, sabia? mas a vontade de morrer ainda nao passou.

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    1. as vezes a gente sente mesmo, mas saiba que você nao esta sozinha. Se precisar de algo, pode contar comigo, ok?

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