Post nº 100! ;)

11/19/2013 02:39:00 PM


Oi. Eu tenho ciclofemia. E eu estou assustada. 

Não sabe o que é ciclofemia? Eu te explico: é tipo um mini transtorno bipolar; Segundo minha professora de psicologia, o Transtorno Bipolar precisa durar exatos 6 meses de mania (muita felicidade), e outros 6 meses no periodo de depressão (muita tristeza). Menos do que isso, é Ciclofemia. - foi o que ela disse, né. 




A minha é complicada, tenho variações intensas de humor todos os dias. Todos mesmo. Ou estou absurdamente feliz por nada, ou estou ridiculamente triste pelo mesmo motivo. Não existe raiva para mim; quando fico nervosa, é outra coisa. Nada faz minha raiva passar, nada. Eu ouço Pink Floyd, como chocolate, olho pro céu, são coisas que ajudam as vezes. Mas eu preciso quebrar alguma coisa. Enquanto eu não quebrar, não fico satisfeita. 




Quando estou triste, argh, é horrivel! Tenho pensamentos ruins, e eu os odeio; odeio pensar em acabar com a minha vida. Mas as vezes, eles simplesmente vem e me dominam, fico pensando em cartas, em quem culpar, em quem não culpar, em formas de morrer. Em 90% das vezes em que isso acontece, eu não quero morrer, realmente; quero ajuda. Quero que a fase ruim passe, quero que alguém se importe de verdade comigo, sim, quero atenção. Preciso de atenção. Outra coisa que acontece na minha fase triste, é o negativismo, o desânimo. Coisas que abomino, porém sinto pelo menos uma vez por semana. É inevitável.




Minha fase feliz é sem dúvida a melhor. Ou não. Pra mim é. Fico confiante, fico rebelde, faço o que quero, falo o que quero, não ligo pra nada. Meu ego adora. Recebemos elogios. Amamos elogios, não é, ego? Tiro fotos, escrevo, escrevo, escrevo. Mas escrevo ideias, inspirações, ajudo os outros. Me visto bem. Fico sorridente, fico simpática, faço exercicios, falo sozinha, dou entrevistas a parede, procuro emprego, corro atrás. Esse é o lado bom da Ciclofemia. Quando estou feliz, sou imbatível. Graças a Deus, o meu lado dominante é a mania - o lado feliz. 




Já procurei várias coisas sobre o assunto e isso me assusta. Quer dizer, é legal de saber, quanto mais informação, menos cagada. Comigo funciona assim. Porém vi uma garota bipolar se referindo aos outros como "normalóides". O que me deixou muito alarmada: como assim, então eu sou louca?

Ai, ai. Quantas e quantas vezes ouvi "você precisa de terapia", "vai se tratar", "essa daí muda de humor toda hora". Todas as vezes em que ouvi essas coisas, fiquei profundamente magoada e entrei na minha fase de depressão. Escrevi textos tristes, tive crises de choro. Ouvi isso dos meus pais. E tudo bem, porque acho que parte disso é genética deles. Ouvi isso da minha professora, ela se refiria a mim como "minha bonequinha", e disse que, pela minha redação, pela maneira como escrevo, ela percebeu minhas mudanças de humor. Foi assim que fiquei sabendo o que eu tinha. Ouvi isso de meus colegas de escola, de gente que diz que sou super legal, de gente que diz que sou muito chata, ouvi isso dos meus melhores amigos; nunca doeu tanto, saber que sou pra eles, uma criança que eles são obrigados a cuidar. Ouvi isso das minhas melhores amigas de infância, elas jogaram coisas na minha cara sem o menor pudor. Doeu, doeu muito, viu meninas? Chorei a noite toda. Chorei pra minha mãe, e eu não choro na frente dela. Acordei acabada. Liguei para outra amiga, ela fez eu me sentir melhor. 




E eu perdoeei. Essa é uma qualidade minha da qual eu me orgulho muito. Eu perdoo fácil. Mas não esqueci. A gente não esquece, né. Queria poder esquecer certas coisas, mas elas são boas para que a gente aprenda. 


Sim, eu já pensei em acabar com a vida, sim, eu já sofri cyberbullying, já fui excluida na escola, já quis fugir de casa, eu tenho crises de raiva, eu sou explosiva, eu grito, xingo, eu mando se foder, eu mostro o dedo do meio, eu sou muito mal criada, respondo quem for. Mas sim, eu sou positiva, eu gosto de animais, velhinhos e crianças, eu quero ganhar dinheiro para ajudar pessoas, eu quero ser influente para um dia inflenciar pessoas a ajudarem, eu sou animada, eu topo tudo, eu não tenho frescuras, eu perdoo fácil, dou risada de tudo, eu sou sim criativa, e por incrivel que parece, eu sou uma mocinha educada, sensivel, e delicada. Eu mudo de humor com frequência, é. Eu tenho um ego enorme, e uma auto-estima minuscula, eu gosto de chamar atenção, mas não quero que ninguém perceba, eu gosto de ir pra festas, mas adoro ficar em casa. Eu sou extrema, intensa, sou muito quente, calorosa, mas sou muito fria. Eu gosto de banho morno, e com a luz apagada para pensar melhor. Eu AMO água com gás, e ODEIO bacon. Eu. Odeio. Bacon. Eu quero mudar o mundo, ser infinita. E esse texto é tão pessoal, mas publica-lo pode ser tão libertador. E vendo minhas esquisitices, percebo que nenhuma das pessoas que fizeram história eram normais. 



You Might Also Like

0 comentários